quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Como dois animais

Custo a entender o tipo de pessoa que não admite ser chamada de bicho do mato, que considera isso uma ofensa das mais graves, digna de uma resposta das mais desaforadas. Ofensa pesada, para mim, é outra coisa...

A meu ver, o termo "bicho do mato" nem pode ser considerado um xingamento sério. Qual a graça de ofender alguém chamando de bicho do mato? O mais excitante da ofensa é tentar ser o mais grosseiro possível, extravasar a raiva e arrancar do peito todo o desgosto que existe na alma. Xingar uma pessoa de bicho do mato é como beber café para matar a sede.

Há quem diga que o ofendido é quem sabe da ofensa. E existe alguma verdade nisso tudo. Mas apesar de estar ausente, saibam vocês que a única opinião que realmente importa aqui é a minha, e continuará sendo. Isto posto, posso afirmar que ser chamado de bicho do mato não é ofensa.

Afinal de contas, o que os animais fazem? Eles cuidam da própria vida. Sim!

Ninguém vê uma onça-pintada preocupada com o que os hipopótamos estão fazendo. Aposto que a onça-pintada também não se senta sob as árvores para monitorar o comportamento dos chimpanzés. Uma onça-pintada nunca vai atacar um tigre porque os tigres não fazem parte de sua cadeia alimentar. A menos, claro, que esse tigre represente alguma ameaça.

Mais ou menos aquele papo do veterinário idiota no filme Os Deuses Devem Estar Loucos: "Se não mexer com eles, eles não mexem com você". Animais são bem assim mesmo. Eles só tomam conta da própria vida. Atitude bem saudável, aliás, que deveria ser "reproduzida" pelos humanos.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

PLANO B

Escrevo este texto mas não tenho um pingo de certeza dele. Essa é a natureza de qualquer plano B, a incerteza. Tenho um plano B pra tudo na minha vida. Família, amigos, emprego, cachorro, namorada. Ninguém me escapa. E ainda assim, às vezes tiro da manga um plano C, caso o plano B venha a dar com os burros n'água. Não é planejamento, é controle de crise.

Só que nem todo mundo age de forma inteligente. Tem gente que vai na sorte. São os famigerados "Ih, fodeu!". Mentalize o seguinte cenário: o Sr. Fudido quer passar adiante uma nota de cinquenta reais falsa que recebeu de um amigo. Então, ele vai na banca de jornal e tenta comprar qualquer revista com a nota. Escolhe uma revista Veja. Devo alertar vocês que o Sr. Fudido é uma besta quadrada. Na hora de pagar, o dono da banca percebe que a nota é falsa e avisa o Sr. Fudido, que exclama: "Ih, fodeu!" e sai correndo, desembestado. Mas se tivesse dado certo, ele voltaria para casa com uma revista Veja, que custa em média dez reais e é uma merda do mesmo jeito. Ou seja, como disse antes, Sr. Fudido é uma besta quadrada.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014


O fim de tarde tem um significado maior para mim. Não importa se o céu está encoberto por nuvens que se tornam escuras devido ao sol que baixa, deixando tudo numa penumbra que destaca qualquer luz ou fogo, ou se o sol ainda aparece no céu, deitando devagar e tocando tudo nos seus últimos momentos, o certo é que eu sempre tenho que admirar quando estou na estrada. O fim de tarde sempre me leva de volta para minha infância ou para alguns dos meus sonhos. Na infância não sei dizer ao certo em que época, mas o que sinto é que as coisas mais significativas que aconteceram quando eu era pequeno foram nesse período do dia. É o que eu sinto, mas não tenho certeza disso. Nessas horas o que vem na minha cabeça são sensações, não imagens. E nessas horas dá vontade de largar tudo e perguntar para Deus: "deixa eu voltar?". Meus sonhos também, parece que a maioria deles aconteceram nesse momento. Na minha cabeça maluca os meus sonhos não acontecem à noite, de manhãzinha ou na hora do almoço. Eles acontecem com o sol no poente, se despedindo de todo mundo, mas deixando a recordação de um dos momentos mais bonitos do dia. O mais curioso é que nessa hora sempre me dá um aperto estranho no peito, mas ao mesmo tempo não consigo deixar de sorrir.