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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Gente muito ocupada

Não costumo confiar em gente muito ocupada, e essa minha cisma já tem algum tempo.

Certa vez tive que visitar o escritório de um advogado que me deu o maior chá de cadeira e se desculpou dizendo que era um homem muitíssimo ocupado. Achei aquilo muito engraçado, mas como ele era um cliente importante deixei passar em brancas nuvens. Aquele paspalho chegava no trabalho sempre depois das 10h, saia pra almoçar ao meio dia, voltava às 15h e picava a mula muito antes das 17h. Ele era ocupadíssimo mesmo. Naquele tempo eu vivia saindo do trabalho depois das 21h, mas nem por isso me achava um homem muito ocupado.

Porque o tempo é uma coisa curiosa, depende de como você o enxerga. Eu sabia que sempre tinha tempo para fazer o que precisava ser feito e aprendi que os outros também têm. O que demorei para entender é que algumas pessoas costumam valorizar demais o próprio tempo porque sabem que os outros têm a mania besta de dar mais credibilidade a quem diz nunca ter tempo para nada. Esse mundo é um grande hospital de doentes mentais, eu sei.

domingo, 27 de maio de 2012

Pequena reflexão sobre o matrimônio e sobre o Peter Parker

"Edgar, essa mulher não é para você!" — Mas quem disse que era? Ninguém. E se dissessem, quem daria ouvidos? Não é apenas o lance de dar ouvidos, mas qual o sentido de dizer uma coisa dessas? Dizer se é ou se não é não compete a ninguém, a menos que haja algum tipo de interesse. E não é o interesse que move tudo nesse mundo? Nada pode ser interessante se eu não estiver interessado. Se não me interessa, eu não faço. Talvez se interessar para alguém, mas daí o meu interesse seria outro, seria o de bajular (interesse, de todo modo). Sou interesseiro mesmo e quero ouvir de quem não é: se eu me interessasse pela garota errada, quando e porque eu perceberia o meu erro? Embora essas não sejam as principais perguntas, afinal de contas, as respostas só levam a outras questões e um pouco mais de filosofia idiota de boteco. 

Se escolhi errado, se escolhi certo. Se não escolhi, se fui escolhido. A garota errada, a garota certa. Talvez ela já tenha passado. E agora, por uma impossibilidade geográfica, já era. Só na próxima vida. Ou quem sabe numa ligação por engano? Um motivo a mais para não trocar o número do telefone, sei lá. Talvez ela não seja necessariamente uma garotinha, mas talvez uma mulher mais amadurecida. Vai saber. Nesse momento cu, nesse climinha bunda, eu poderia estar compondo o mais novo chiclete do sertanejo universitário. Quem sabe essa música não faria um baita sucesso e eu conheceria a garota certa através dela? Provavelmente eu diria a mim mesmo: "Vixe. Ela gosta de sertanejo universitário, essa garota não é para mim".

Outro dia mesmo, mexendo em algumas caixas e entulhos, esbarrei com a última Amazing Spider Man. Uma das primeiras histórias do Homem-Aranha. Eu tinha lido essa revista há muito tempo, e agora parei para dar uma analisada. Reler uma história antiga do Aranha acaba reforçando a ideia de que, no que diz respeito às histórias mais recentes, eles estão fazendo merda atrás de merda. Eu, pelo menos, levaria o Aranha para um caminho diferente. Pra começo de conversa eu mandaria a Mary Jane Watson para o raio que o parta. Nada contra a ruivinha, que aliás tem uns peitões bem suculentos, mas casamento é um espinho na mão, é um corte no pé para qualquer super-herói. Fato: o casamento envelheceu Peter Parker. E isso não é nada bom. Revistas em quadrinhos são feitas para o público jovem. E o público jovem está pouco se fodendo para casamentos. Ou eu estou errado?

O Aranha é apenas um dos heróis mais importantes do universo dos quadrinhos (o mais indispensável depois do Superman). Quando surgiu ele representou uma mudança essencial no mundo dos quadrinhos, e apesar de não ter encabeçado essa transformação (honra que cabe ao Quarteto Fantástico, vale lembrar), foi seu protagonista mais notável. Por tudo isso, eu não pensaria duas vezes antes de detonar a instituição da família e logo arranjaria uma separação para Parker. Assim sem mais nem menos. Seria a primeira providência a tomar. Existem um milhão de formas de se engendrar um divórcio, eu inventaria uma a contento. Complicada, dolorosa, porque eu tenho pra mim que o Parker é um masoquista incorrigível. Eu tomaria o cuidado de deixar a Mary Jane por perto, assim de sobreaviso mesmo, porque ela poderia ser reaproveitada em outras situações. Seria a versão edgariana daqueles finais de histórias em quadrinhos de outrora, em que o antagonista aparentemente morria mas não havia provas, e ficava sempre a certeza de que ele ressurgiria das cinzas. Por exemplo, se um namoro já deu o que tinha que dar, era só fazer o Peter Parker sentir saudades de sua ex-mulher, e dar início a mais um daqueles períodos de confusão emocional gerados por profundos questionamentos. Esse tipo de coisa sempre rende muito pano pra manga.

Eu também daria um jeito de tirar melhor proveito da Liz Allen. Uma amiga de escola do Peter Parker, que foi enrabichada por ele, mas o zé ruela cagou e andou pra moça. Depois ela tomou chá de sumiço e mais pra frente reapareceu para ser a esposa do Harry Osborn. Então Osborn bateu as botas e deixou viúva e um herdeiro. A meu ver, Liz Allen seria a namorada perfeita para o Homem-Aranha. Não só pela trajetória de ambos, mas também por um detalhe que é a calda em cima do pudim: seu filho odeia o Homem-Aranha. Ou seja: é o melhor dos mundos possíveis! Agora que praticamente até o zé-das-candongas sabe que Peter Parker é na verdade o Homem-Aranha, seria providencial ter alguém próximo de quem ele tivesse que esconder sua identidade secreta.

Resumindo: há tantas opções de coisas decentes para se fazer com o aracnídeo, e são coisas que respeitariam bem mais o significado do personagem e não eliminariam uma possibilidade de futuro. Enquanto isso os caras perdem o maior tempo com um vínculo matrimonial sem sentido. Mas roteiristas, vocês sabem, são todos uns panacas mesmo. Honestamente eu não consigo entender muito bem o que se passa na cabeça dessas pessoas.

Taí. Vai ver o problema é comigo.

Amigos meus casam, eu continuo com meus rolos namoros ocasionais. Amigos meus viram pais, eu continuo usando camisinha. Vida a dois. Família constituída antes dos 30. Contas, fraldas e televisão. O que vai ter para o jantar? Eu com minhas músicas, videogame, cachorro, alguns filmes e pizza. Saio regularmente para baladas e chego a hora que quero em casa. Vou à praia quando me dá na telha. Sei que não vai ser assim pra sempre, tanto que divaguei um pouco sobre isso hoje. Abrir mão da privacidade e da liberdade. Como deve ser? Alguns casamentos são inconstitucionais. Ferem o direito de ir e vir. Mas sei que também existe o lado bom, sou testemunha disso. Acho que já foi provado cientificamente que os casados são mais felizes que os solteiros. Amor e união, pessoas que se completam. Brigas e divórcio, eu fico com a casa e você com o carro. Bodas de prata, ouro, diamante. Filhos, netos, família reunida. Olhar a sua mina com suas várias rugas e sentir uma felicidade danada por estarem tanto tempo juntos.

Não procure achar lógica nesse texto, são apenas divagações e dúvidas, muitas duvidas.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Dia das Mães

Minha mãe sempre implicou com a minha bagunça. Sempre quis organizar tudo. Costumava arrumar meus cabelos (desgrenhados por natureza) com doses cavalares de gel cuja abundância só era superada por sua paciência. Ela sempre arrumou meu quarto. Colocava meus livros na estante, minhas provas na escrivaninha, meus lápis e canetas nos estojos. Mamãe sempre foi muito atenciosa, desde que meu pai morreu. Arrumava meu lanche todos os dias pela manhã, e eu levava minha lancheira para o colégio, mesmo depois dos 18 anos. Já estava careca de saber que era pão com presunto e queijo e suco de abacaxi com hortelã (que era bom para despertar, segundo ela). Mamãe sempre soube das coisas. De todas as coisas. Não quis se casar de novo depois de sua viuvez (para cuidar de mim, disse). Mamãe sempre foi muito amorosa. Em retribuição eu também não me casei. Nem quis trabalhar também. Fiquei aqui vivendo como o menino dela, aliás, decisão aprovada e apoiada por ela. Mamãe sempre me apoiou em tudo. Me deu tudo o que eu pedi, até quando resolvi fazer coleção de armas. Mas mamãe me irritava às vezes, com seu perfeccionismo e sua mania de arrumação. Eu não entendia porque não podia deixar o meu quarto daquele jeito que eu tanto gostava. Eu me encontrava facilmente naquela bagunça, que para mim não era bagunça coisa nenhuma. Tinha sua ordem e seu padrão. Minha ordem. Meu padrão. As camisas já usadas e amarrotadas, mas ainda limpas, ficavam ali, embaixo das almofadas no canto ao lado do aparelho de som. As revistas de conteúdo pornográfico espalhadas pelo sofá e pela escrivaninha eram as que eu comprei há pouco tempo. Os CDs fora das caixas virados pra cima eram os que eu costumava ouvir sempre. A IMI Desert Eagle .50 em cima da mesa de cabeceira, minha pistola preferida, ficava ali porque me sentia mais protegido assim e porque ficava carregada, então eu dormia com ela.

Mamãe devia ter aprendido a bater na porta do quarto antes de entrar de madrugada. Eu durmo armado! Não percebeu até hoje? E agora, o que vou fazer com seu corpo? Ah, mamãe... a senhora às vezes me dá trabalho.

Qualquer influência de Alfred Hitchcock não é mera coincidência.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Cinema por quem não entende de cinema

Terça-feira, 1° de Maio. Uma noite gelada. Último dia do feriado prolongado e vou para o cinema com uma tarefa aparentemente simples: escolher o filme mais besta em cartaz, apenas para refrescar a cabeça e sair da sala escura dizendo "que bom, não pensei por algumas horas". O filme escolhido, de acordo com os critérios supracitados, foi o célebre Titanic. A escolha ideal para aquilo que eu me propunha. Além disso, aprecio muito os filmes melosos de amor e ternura (mentira, eu não tive poder de persuasão e por isso não assisti Os Vingadores – mentira de novo, a verdade é que eu também estava muito a fim de ver o filme do barcão em 3D).

O que eu posso dizer sobre o filme? Não tem muito o que dizer. É um filme impressionante. Assisti Titanic no aconchego da minha casa uma porção de vezes, e em todas foi para fazer companhia. Mas dessa vez saí do cinema embasbacado com o artesanato brilhante do filme projetado em 3D (e fazendo comparações injustas com o Encouraçado Potemkin, porque cometo absurdos desse quilate). Enfim, foi muito bacana assistir no cinema a dignidade dos músicos tocando enquanto o barco afunda. A melhor cena do filme, na minha opinião.

No mais, é só isso mesmo.

Se algum dia eu me tornar um diretor de cinema, uma das coisas que quero implementar na minha coleção de DVDs é o comentário de gente idiota. Vou fazer uma compilação das coisas mais imbecis capazes de serem ditas numa sala de cinema e contratar alguns atores para ler essas tolices durante o filme. Aquela sensação gostosa de ver televisão com seu tio-avô caducando do seu lado. O tipo de coisa que pode estragar qualquer filme. Sobretudo se os idiotas da sala de cinema estiverem agindo em sincronia. Nesses casos, das duas uma: ou a plateia é composta de pessoas que não estão ali para assistir o filme ou é composta de pessoas que avistaram o cometa Halley mais que uma vez. Sendo assim, toda vez que algo acontece, você é agraciado com frases do tipo "Esse aí é o Jack!", "Agora o navio vai afundar!", ou então "Essa atriz morreu de câncer de mama!" assim que a Kate Winslet aparece na telona. Coisa que eu nunca entendi é a dificuldade que algumas pessoas (adultas) têm de se comportar dentro do cinema. Certo, converso durante os trailers, especialmente os nacionais, mas quando o filme começa eu faço silêncio e me comporto. Respeitar os outros é o mínimo.

A propósito, porque diabos aplaudir dentro de um cinema? Será que essas pessoas acham que tem alguém ali gravando para mandar a fita pro diretor do filme? "Senhor Cameron, chegaram as fitas com aplausos do Brasil".

Tudo isso para lembrar a mim mesmo, e talvez para me persuadir, de que cinema não é mais tão legal assim.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Um post sobre a Disney que provavelmente não será escrito

Outro dia sintonizei em uma rádio qualquer, dessas rádios que a gente nunca sabe o nome (mas também não importa muito além do mais, quando eu digo que sintonizei em alguma coisa, a obrigação de vocês é de acreditar!) e comecei a ouvir o que parecia ser um programa só de trilhas sonoras da Disney. Eu teria gostado bem mais se, durante o trajeto de casa até o trabalho, o pessoal não tivesse tocado tanta música de desenhos dos anos 50. Acho aqueles arranjos instrumentais muito fodas, mas aqui entre nós, existem certas exceções.

Nunca consegui, por exemplo, nutrir qualquer simpatia pela maioria dos personagens. Acho eles insossos e típicos demais. Especialmente aquele rato asqueroso do Mickey Mouse. Na fase gloriosa do "politicamente correto", marcou bobeira o marketeiro que não usou aquele roedor estúpido como rato-propaganda. Não dá para imaginar o Mickey sendo indelicado, roubando uma garrafinha de vodca no supermercado ou passando a mão numa gostosa no baile funk. Ele só não conseguiu arruinar o Fantasia porque não encarnou o papel de bonzinho, aliás, graças a uma desobediência dele, a sequência do Aprendiz de Feiticeiro é uma das melhores do filme. A trilha sonora ajuda um bocado, verdade, mas não vamos limar totalmente o mérito do velho Walt nesse caso.

Pior do que o Mickey, só mesmo a baranga orelhuda da Minnie. Os dois formam o velho estereótipo de casal perfeito: enquanto ele supostamente "pensa", ela se enfeita (tudo em vão) e fala merda, muita merda. Fêmeas.

Agora verdade seja dita, Walt Disney não criou lá muita coisa interessante. Os longa-metragens, em sua maioria, eram adaptações de contos seculares que foram cuidadosamente registrados pelos irmãos Grimm e espertamente filmados pela Disney (O Rei Leão é resultado da adaptação de várias histórias bíblicas, e boatos dão conta de que até Hamlet está no balaio). De bom dele, só os desenhos "especiais" onde não pipocam os personagens típicos. Um dos mais memoráveis, de longe, é o do touro Ferdinando. Gosto bastante daquele chifrudo. Mas aquele em que o Pateta aparece como motorista com dupla personalidade (um anjo como pedestre, mas um demônio quando suas mãos assumem o volante) também é uma pequena obra prima.


Devo ter em casa uns 5 filmes de desenho animado, sendo que o único da Disney é O Rei Leão. Não tenho culpa se não sou da geração que cultua a ingenuidade da infância. Meu barato era ficar cagado de emoção quando o Coiote se estrepava nas mãos do Papa-Léguas; mandar a minha irmã "tatuar" o Olho de Thundera no meu braço; torcer para o Dick Vigarista se lascar; e desejar a morte da Uni, aquele unicórnio maldito. Se bem que eu assisti muito a Tv Cultura também. Pois é, a televisão da minha casa costumava ficar ligada na Tv Cultura durante o dia. Passei uma boa parte da infância com o Euclides e o Máscara, com o Lucas do Mundo da Lua, Xis (o fantoche, não o rapper) e com os peixes do Glub-Glub. Lembro demais que naquela época eu queria muito ir pro centro só pra ver se a repórter do Jornal Rá-Tim-Bum fazia comigo aquela brincadeira de adivinhar o gosto dos alimentos. Eu falava pra minha mãe que se ela me desse salame, eu ia falar que não sabia se era salgado só para ganhar mais um pedaço. E se ela me desse um limão, eu chutava a canela dela.

Sempre achei o programa Rá-Tim-Bum (na verdade, a Tv Cultura toda, em geral) um baita referencial para a arquitetura. Sério mesmo. Meio pop art, arquitetura estilizada, cores e estampas malucas, takes toscos, mas com um certo efeito futurista... tudo muito impressionante! Sempre paguei o maior pau para o staff daquela época e pago até hoje. Inclusive, tem um trecho do documentário Fernando Meirelles, Um Certo Olhar no qual ele (que também é arquiteto, diga-se de passagem) fala um pouco sobre essa minha impressão a respeito do aspecto arquitetônico daquela parada toda. Ou seja, eu não estava viajando na maionese – não absolutamente.

Mas então. Falando em documentários (mas sem voltar a mencionar desenhos Disney, programação da Tv Cultura ou Fernando Meirelles – até porque eu não teria mais nada a falar sobre isso), me lembrei agora de um documentário daqueles do Discovery (cheio de imagens impressionantes em slow motion com as legendinhas passando embaixo) sobre animais que matam por motivos que vão além da necessidade de alimentação. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que os golfinhos (isso mesmo, os simpáticos, imbecis e encantadores golfinhos) matam (eles matam e matam a sangue frio) integrantes de bandos rivais e, não satisfeitos, ainda acabam com a raça de todos os filhotes para impedir que seu antecessor tenha seus genes disseminados! Inclusive, esse documentário mostrou que golfinhos são animais extremamente violentos e letais. E de repente, a realidade caiu sobre mim como um piano de cauda despencando do topo de um arranha-céu de 80 andares.

E tem gente que ainda diz que só o ser humano mata seus semelhantes por motivos que vão além da fome...







No fim das contas, acho que poderia escrever um post melhor sobre a Disney (e apenas sobre a Disney). Só que não vai ser dessa vez. Mas o pior é saber que o tempo vai passar e eu não vou escrever porcaria nenhuma.